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Essa é a entrada da casa de Dona Alzira, que foi minha vizinha por 10 anos. Sua morte, ano passado, foi estranha, fedorenta, solitária. Solitária não, seu cachorro Lorde tava lá, mordendo quem ousasse chegar perto. Desejei tanto que ela fosse enterrada ali mesmo, no terreno da sua capina diária. Eu nunca havia entrado lá, até o dia desse ensaio fotográfico, em que minha querida prima Isadora Fonseca propôs um olhar sobre meu cotidiano e topou registrar uma singela homenagem minha à vizinha. Chegando lá encontrei muitas espadas de São Jorge, como essa na entrada da casa. E esta foto me veio justo hoje, no dia de Ogum! Dona Alzira era uma velha menina negra de trancinhas, cheirava a leite de rosas, era testemunha de Jeová, dava limões aos vizinhos e pouquíssimas palavras. Chorei carregando o seu retrato. Cantei pelo encantamento de sua alma. Dancei pela proteção da sua terra.

– Dona Alzira, a senhora não acredita mas tem um cavalo enorme por baixo de um cavaleiro poderoso no meio da sua roça. As plantas são testemunhas! O mal aqui não persevera, há força, coragem e muita luz! âœ¨

Foto: Isadora Fonseca Photographie

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